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Acuracidade de estoque: como calcular e por que medir em valor engana

há 12 horas
3 min de leitura

A acuracidade de estoque mede o quanto os registros do sistema batem com o que existe fisicamente no armazém. É um dos indicadores mais usados em gestão de estoque, e também um dos mais mal calculados.

Imagine o fechamento de um inventário rotativo de 500 itens. Em 460, o físico bateu exatamente com o sistema. Em 40, houve diferença, para mais ou para menos. Somadas, as diferenças deram R$ 1.200, num estoque de R$ 2 milhões.

O relatório que sobe para a diretoria diz: acuracidade de 99,9%.

Nesta semana, fiz esse desafio no nosso grupo de WhatsApp, e a pergunta era simples: qual acuracidade apresentar? A resposta correta é 92%. E a diferença entre os dois números explica por que tanta empresa tem "estoque confiável" no papel e ruptura na prática.

Três formas de medir, três resultados

1. Por item (quantidade): itens corretos ÷ itens contados = 460 ÷ 500 = 92%. Mostra quantos registros do sistema estão certos, e é com esses registros que o MRP, o ponto de pedido e o comprador tomam decisões.

2. Em valor líquido: 1 − (diferença líquida ÷ valor do estoque). É a conta que gera os 99,9%. O problema é que ela soma sobras e faltas com sinais opostos, e uma apaga a outra.

3. Em valor absoluto: soma das diferenças sem sinal ÷ valor do estoque. Suponha que, nos 40 itens, as faltas somem R$ 29.400 e as sobras, R$ 28.200. O líquido é R$ 1.200. O absoluto é R$ 57.600, ou 2,9% do estoque. A acuracidade em valor cai de 99,9% para 97,1%.

O mesmo inventário, três números: 99,9%, 97,1% e 92%. Só o primeiro deixa todo mundo tranquilo, e é exatamente o que menos representa a realidade.

Por que o valor líquido engana

  • Sobra não compensa falta. Ter 30 parafusos a mais não resolve a falta de uma vedação. A linha para do mesmo jeito.

  • Itens caros dominam a conta. Um erro grande num item barato, que pode parar a operação, quase não aparece no indicador em valor.

  • O erro fica escondido no tempo. Um mês de sobras grandes pode "melhorar" o indicador e mascarar um processo de recebimento ou de baixa que continua falhando.

O que levar para a reunião

Em vez de um número só, apresente três informações:

  1. Acuracidade por item, separada pela Curva ABC. Uma referência comum de tolerância: itens A sem diferença, B até 2% e C até 5% na quantidade. Operações maduras buscam 95% ou mais por item.

  2. Divergência em valor absoluto, que mostra o tamanho real do erro financeiro, sem compensações.

  3. As principais causas das diferenças do período: recebimento sem conferência, baixa não lançada, unidade de medida trocada, endereço errado.

O terceiro ponto é o que transforma o indicador em ação. Acuracidade baixa não se resolve com ajuste de saldo. Resolve-se corrigindo o processo que gerou o erro.

Uma pergunta para a sua operação

Hoje, como a acuracidade do seu estoque é apresentada para a gestão: por item ou em valor? Conte nos comentários.

Perguntas frequentes sobre acuracidade de estoque

Qual é a fórmula da acuracidade de estoque?

A forma mais usada é por item: acuracidade = itens com saldo correto ÷ itens contados × 100. Também é possível medir em valor, usando a soma das diferenças sem sinal (valor absoluto) dividida pelo valor do estoque.

Qual é uma boa acuracidade de estoque?

Operações maduras buscam 95% ou mais por item, com tolerâncias diferentes pela Curva ABC: itens A sem diferença, B até 2% e C até 5% na quantidade são uma referência comum.

Por que não medir a acuracidade só em valor?

Porque no valor líquido as sobras compensam as faltas e os itens caros dominam a conta. O indicador fica alto mesmo com dezenas de itens errados na prateleira.

Com que frequência medir?

A cada contagem do inventário rotativo, com consolidação mensal. Assim o erro aparece perto de quando aconteceu e a causa ainda pode ser investigada.

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